Niggadom

Jul 31

teconozcomascarita:

"Se há coisa em que os norte-americanos são realmente bons é a criar heróis e memoriais. Toda a sua mitologia está assente na figura do homem normal que em momentos extraordinários se consegue superar a si próprio, seja ele Abraham Lincoln, Rocky Balboa ou Chesley Sullenberger, o comandante do avião que em Janeiro de 2009 conseguiu amarar nas águas geladas do rio Hudson, salvando todas as pessoas a bordo.

Por muito filme de Hollywood que a gente veja, nós não temos essa cultura em Portugal, nem, segundo parece, esse tipo de herói. Já desde os tempos da padeira de Aljubarrota que o herói português é invariavelmente do tipo relutante, mais dado à astúcia do que à coragem desabrida. É como nas velhas anedotas do português, do inglês e do francês – o português sai-se sempre melhor, mas nunca por fazer uso de qualquer espécie de heroísmo espampanante; sai-se melhor porque é o chico-esperto, o manhoso, o campeão dos improvisadores.

Recentemente, o PÚBLICO divulgou um longo excerto do texto que Adelino Gomes escreveu para o óptimo livro Os Rapazes dos Tanques, centrado na figura do cabo apontador José Alves Costa, que na manhã de 25 de Abril de 1974 se recusou a disparar sobre a coluna de Salgueiro Maia, mesmo após o brigadeiro Junqueira dos Reis lhe ordenar directamente “dá fogo já a direito”. O que é extraordinário na descrição de Adelino Gomes não é a recusa em si – já antes o alferes Fernando Sottomayor havia feito o mesmo, recebendo ordem de detenção –, mas sim a forma tão portuguesa como Alves Costa resolveu o imbróglio que tinha à sua frente.

Em primeiro lugar, explicou ao brigadeiro que não percebia lá muito de tanques. “Fui improvisado para aqui. Sei pouco trabalhar com isto. Vou ver se consigo, mas eu não sei”, desculpou-se. E quando o brigadeiro o ameaçou “ou dá fogo ou meto-lhe um tiro na cabeça!”, Alves Costa decidiu-se por um desenrascanço 100% nacional: enfiou-se dentro da torre e trancou a porta. “Eu, fechando-me dentro do carro, ninguém abre, porque aquilo é blindado, entende?” E assim se fez Abril.

Nós somos o povo para quem Herman Melville criou, sem saber, o seu Bartleby, o desconcertante escrivão que fazia da passividade uma filosofia existencial. A tudo o que lhe era pedido Bartleby respondia: “Preferiria não o fazer.” Também José Alves Costa preferiria não atirar sobre os revoltosos de Santarém. E não atirou. No entanto, nunca afrontou de forma directa o seu superior: “A gente sabia o regime que tinha. Se calhava as coisas não correrem bem, a minha vida podia ir para o maneta”, explicou a Adelino Gomes.

É certo que o espírito luso-bartlebyano, na mão de burocratas, é de modo a conduzir qualquer alma ao desespero – como pode comprovar quem já passou dias numa repartição pública. No ramerrão diário, “preferiria não o fazer” é um inferno paralítico, que nos faz sonhar com as virtudes da disciplina teutónica. Mas na Alemanha dificilmente haveria um 25 de Abril com cravos enfiados nos canos das espingardas, porque um qualquer Alves Costa da Baviera nunca mandaria o seu brigadeiro dar uma curva enquanto fingia cumprir ordens. Para citar José Gil, a não-inscrição chega ao próprio heroísmo – o cabo apontador que impediu que a revolução se tornasse num banho de sangue viveu 40 anos no anonimato de uma aldeia da Póvoa de Varzim. Afinal, ele não fez nada. O que é tão absurdo quanto comoventemente português.”

João Miguel Tavares. Público, 24 de abril de 2014

Perfeito.

(via portugalsecrets)

"The naked female body is treated so weirdly in society. It’s like people are constantly begging to see it, but once they do, someone’s a hoe."

-

Lena Horne  (via sexual-feelings)

not to mention ppl being grossed out by it

(via 95yr)

(Source: africantea, via curteouscandor)

Jul 31
classy-kate:

thisisthedreamblr:

The #city of #dreams #newyork newyorker newyorkisforlovers

It’s insane that so many people live cramped together on that tiny island
Jul 31

classy-kate:

thisisthedreamblr:

The #city of #dreams #newyork newyorker newyorkisforlovers

It’s insane that so many people live cramped together on that tiny island

(via blackistheonlycolor)

Jul 30

(via retempto)

largerthanl1fe:

fucking best breakfast ever
Jul 30

largerthanl1fe:

fucking best breakfast ever

nymphoninjas:

Trouble in the bath in Montreal. See more at nymphoninjas.findrow.com
Jul 30

nymphoninjas:

Trouble in the bath in Montreal. See more at nymphoninjas.findrow.com

(via im-just-a-modern-man)

Jul 30

menstyle1:

Gentelmen’s shoes.
FOLLOW for more pictures

(via im-just-a-modern-man)

wikoni:

Mikkel Jensen for LAB A4 | Photo: Greg Swales 
Jul 30

wikoni:

Mikkel Jensen for LAB A4 | Photo: Greg Swales 

(via blackistheonlycolor)

Jul 30

(Source: facebook.com, via blackistheonlycolor)

chocolate-coveredlife:

One of the Top 10 sandwiches in the world: Portugal’s Francesinha (frenchy or little french if you would translate it)

I miss my country so bad.
Jul 29

chocolate-coveredlife:

One of the Top 10 sandwiches in the world: Portugal’s Francesinha (frenchy or little french if you would translate it)

I miss my country so bad.

(via portugalsecrets)